6.8.09

QUEM SÃO OS INSETOS INTERIORES?



Sempre quis postar essa poesia aqui no blog, mas sempre a achava (e continuo achando) pesada, chocante, provocante... Digo isso por mim! Porque sempre que a ouço sou pego “na veia”, me sentindo um tanto quanto fútil, no mínimo incomodado. Imagino que o mesmo possa acontecer com quem prestar atenção na mensagem de reflexão que ela traz.

Hoje, pensando no porque as pessoas custam tanto a perceber a importância de cuidar do planeta e preservar o que nos é vital, resolvi reproduzi-la.

Senhoras e senhores, o Conceito Ecológico orgulhosamente apresenta...

A METAMORFOSE OU OS INSETOS INTERIORES OU O PROCESSO, de Fernando Anitelli do O Teatro Mágico...

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.


Imagem: Bonacheladas [by Flikr]

...

3 comentários:

Arte&Reciclagem, ReceitasSaúde e ReciclagemdasLetras disse...

Ih, conheço uns assim, exatamente assim. Parabens pela postagem. Bjs

Sherol Vinhas disse...

Oi, muito prazer.
Estava passeando pelo mundo dos blogs e te encontrei, a poezia é pezada mesmo, mas vc tem razão, acabamos nos sentindo exatamente como vc disse.É...temos que pensar e agir.
Abraços.
Ps:Adoraria receber sua visita no meu blog.

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